Ver além dos olhos

Museu Goeldi realiza experiências sobre acessibilidade de pessoas com necessidades especiais


Em 2010, a exposição "Kayapó - Mebêngôkre nhõ pyka, nossa terra Mebêngôkre" foi palco para mais uma experiência de acessibilidade testada pelos técnicos do Museu Goeldi. A mostra foi adaptada para receber um grupo de estudantes da Unidade Educacional Especializada José Álvares de Azevedo, que se dedica ao ensino de deficientes visuais. “Infelizmente, nossa sociedade é pobre nesse tipo de iniciativa. É necessário permitir o acesso a esse tipo de conhecimento, a essa vivência”, explicou Priscila Amorim, pedagoga da Unidade.

Para receber o grupo, os painéis da exposição foram disponibilizados em braile. Além disso, os monitores guiaram os visitantes, explicando o significado dos objetos e permitindo o toque. Quando se tratava das pinturas corporais, pesquisadores passavam sobre a pele dos alunos uma espécie de 'pincel' utilizado pelos Kayapó, reproduzindo os principais elementos da pintura indígena.

Para muitos, foi a primeira vez que entravam em contato direto com os saberes indígenas e, em diversos casos, a primeira vez que iam a um museu, o que reflete a falta de estrutura dessas instituições para receber portadores de necessidades especiais. “Esse tipo de atividade é interessante para o desenvolvimento das crianças, tendo influência direta no desenvolvimento cognitivo”, justificou Lourival Nascimento, diretor da Unidade e parceiro do museu na concepção das adaptações necessárias.

Essa atividade funcionou como um projeto-piloto da Coordenação de Museologia. Os resultados serão estudados para que atividades semelhantes voltem a acontecer e para que adaptações permanentes sejam efetuadas, de modo que o museu fique apto a receber todos os tipos de público.

Assista o vídeo da ação clicando aqui.

 

 

 

Texto: Diego Santos - SCS/MPEG

 

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